Terça-feira, Janeiro 20, 2026
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“Sabe a pouco”: Sporting em “guerra” com a Federação por causa do caso da televisão no Dragão

O clube de Alvalade reagiu com dureza à multa de 12.750 euros aplicada ao FC Porto. Em comunicado, os “leões” acusam o Conselho de Disciplina de desperdiçar uma oportunidade histórica para proteger a arbitragem e falam num retrocesso perigoso para o futebol português.

O fosso entre as instituições do futebol português voltou a abrir-se esta quarta-feira. O Sporting CP não poupou as palavras para descrever o que considera ser uma decisão “flagrantemente desproporcional” da Federação Portuguesa de Futebol (FPF): a sanção pecuniária aplicada ao FC Porto após o polémico episódio das imagens televisivas no balneário dos árbitros, durante o jogo frente ao Braga, a 2 de novembro.

O pomo da discórdia: “Involuntário” vs “Condicionamento”

No centro da polémica está a presença de ecrãs no balneário da equipa de arbitragem, liderada por Fábio Veríssimo, onde foram exibidas imagens do golo anulado aos “dragões” na primeira parte desse encontro.

Se, por um lado, o FC Porto sustenta a tese de um “lapso técnico” e de uma “transmissão involuntária” destinada apenas à análise interna da equipa técnica, o depoimento do árbitro no acórdão conta uma história diferente. Fábio Veríssimo admitiu ter-se sentido “emocionalmente afetado” e afirmou acreditar que a colocação das imagens teve o intuito deliberado de condicionar o seu trabalho para o resto da partida.

A revolta de Alvalade

Para o Sporting, a multa de pouco mais de 12 mil euros é insuficiente para a gravidade dos factos. Num comunicado que espelha uma “profunda estupefação”, o clube leonino defende que:

  • A oportunidade perdida: A FPF teve na mão a chance de criar um precedente que travasse métodos de pressão “ultrapassados”.

  • O recuo civilizacional: A sanção é vista como um sinal de fraqueza institucional que compromete a evolução e a credibilidade das competições profissionais.

  • A normalização do erro: O clube alerta que punições leves podem levar à normalização de comportamentos que se julgavam erradicados do futebol moderno.

“É o caso mais grave conhecido de tentativa de reintroduzir métodos de pressão sobre as equipas de arbitragem”, afirma o Sporting, sublinhando que o impacto psicológico reconhecido pelo árbitro deveria ter tido um peso jurídico muito superior.

Um sistema sob pressão

Este acórdão surge num momento de particular sensibilidade, após sucessivas reuniões entre organismos de arbitragem e a tutela do futebol para reforçar a proteção dos juízes de campo. Ao classificar a infração como “inobservância qualificada de outros deveres”, o Conselho de Disciplina parece ter optado pelo caminho do meio, uma solução que, para o Sporting, desprotege quem apita.

O caso, que demorou quase dois meses a conhecer um desfecho disciplinar, promete agora alimentar uma nova vaga de debate sobre a transparência e o rigor no futebol nacional. Mais do que os euros da multa, o que parece estar em jogo é a autoridade moral das instituições que regem o desporto rei em Portugal.

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