Terça-feira, Janeiro 20, 2026
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Ventura acusa PS e PSD de “destruir a democracia”

No arranque do debate do Programa de Governo, o líder do Chega endureceu o tom contra o “centrão”, enquanto o Primeiro-Ministro defendeu o legado dos 50 anos de democracia e pediu responsabilidade na Saúde.

LISBOA – O ambiente no Palácio de São Bento subiu de tom esta terça-feira durante a primeira ronda de pedidos de esclarecimento ao Programa do XXIII Governo Constitucional. André Ventura, presidente do Chega, abriu as hostilidades ao acusar o Partido Socialista (PS) e o Partido Social Democrata (PSD) de manterem um “conluio” que, na sua visão, tem servido para “destruir a democracia” portuguesa nas últimas cinco décadas.

O “Novo Quadro Parlamentar”

Ventura, agora na liderança da segunda maior bancada da Assembleia da República, utilizou os números eleitorais para legitimar a sua ofensiva. Destacando o crescimento do Chega em mais de 268 mil votos face ao recuo expressivo do PS, o líder da oposição à direita defendeu que o país exige “reformas a sério” que rompam com a inércia do passado.

“O tempo é de não olhar para trás. O tempo é de servir e concretizar o voto dos portugueses”, afirmou Ventura, instando Luís Montenegro a aproveitar a nova maioria parlamentar para afastar definitivamente as políticas socialistas.

Saúde sob fogo cruzado

A gestão da Saúde foi o principal campo de batalha técnico do debate. André Ventura criticou duramente o encerramento de 14 serviços de urgência no último fim de semana e ironizou a continuidade da Ministra da Saúde, classificando os tempos de espera para consultas e cirurgias como “uma desgraça”. O líder do Chega deixou ainda um aviso direto: “Ou o Governo faz alguma coisa pela saúde de quem cá está (…) ou nós não toleraremos muito tempo este Governo”.

A Resposta de Montenegro: “Conquistas vs. Retrocesso”

Luís Montenegro não deixou as acusações sem resposta. Embora tenha admitido que existem “frustrações acumuladas” e expectativas goradas nos últimos 50 anos, o Primeiro-Ministro rejeitou liminarmente a tese de destruição da democracia. Em contrapartida, recordou o “imobilismo e o atraso” dos 50 anos que precederam o 25 de Abril, esperando que Ventura não deseje o regresso à ditadura.

No capítulo da Saúde, o chefe do Executivo apresentou dados para contrariar o “alarme” do Chega:

  • Redução de Encerramentos: Montenegro afirmou que os fechos de urgências em 2025 são cerca de metade dos registados em 2024.

  • Execução do Plano: O Governo garante que 80% das metas do programa de emergência para a saúde já foram cumpridas.

  • Investimento: Reforço de recursos humanos e infraestruturas através do PRR e Orçamento do Estado.

O Primeiro-Ministro terminou apelando ao “sentido de responsabilidade”, sublinhando que, apesar de o Chega ser agora a segunda força parlamentar, o suporte ao Governo também saiu reforçado das urnas, exigindo um debate focado em soluções e não apenas em “maximizar o alarme”.

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