O árbitro da AF Leiria avançou com uma participação disciplinar por denúncia caluniosa, na sequência do arquivamento das acusações que o clube portista lhe dirigira após o encontro em Arouca.
A tensão entre o FC Porto e o árbitro Fábio Veríssimo conheceu um novo capítulo. Depois de o Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol ter arquivado o processo instaurado pelos “azuis e brancos” contra o juiz, Fábio Veríssimo decidiu passar à ação e avançou com uma participação disciplinar contra o clube, acusando-o de denúncia caluniosa.
A origem do diferendo
Em causa está a contestação do FC Porto à arbitragem no jogo frente ao Arouca, a contar para a 7.ª jornada da Liga. Na altura, o clube alegou que o árbitro teria adotado uma conduta imprópria e intimidatória, dirigindo-se a dirigentes portistas com comentários como «Volta Engenheiro [Luís Gonçalves], estás perdoado» e insinuando que o gestor executivo Henrique Monteiro «só iria aprender quando fosse expulso».
O FC Porto argumentou, na sua queixa inicial, que essas supostas ameaças se concretizaram posteriormente no jogo frente ao SC Braga, com a expulsão do referido dirigente. Contudo, a Comissão de Instrutores concluiu que não existiam provas que sustentassem as alegações do emblema portista, nem uma relação de causalidade entre os alegados comentários e a expulsão em Braga, levando ao arquivamento imediato do processo contra o árbitro.
O risco para os “dragões”
A nova investida de Fábio Veríssimo assenta no artigo 112.º-A do Regulamento Disciplinar, que visa punir agentes ou clubes que apresentem queixas com «a consciência da falsidade da imputação».
Caso o Conselho de Disciplina dê razão ao árbitro e considere o processo procedente, o FC Porto poderá enfrentar uma sanção pecuniária. Segundo o regulamento, a multa prevista para este tipo de infração varia entre os 2.550 e os 25.500 euros.
Este processo marca um ponto de viragem, com a arbitragem a reagir formalmente às críticas e acusações públicas proferidas pelas estruturas dos clubes, num contexto em que a transparência e a veracidade das denúncias ganham cada vez mais escrutínio pelas instâncias disciplinares.