O Presidente da República, António José Seguro, lamentou profundamente a morte de Mário Zambujal aos 90 anos, destacando a sua contribuição singular para o jornalismo desportivo e a literatura portuguesa.
A partida de Mário Zambujal, apenas uma semana após celebrar o seu 90.º aniversário, marca o fim de uma era no panorama cultural português. Numa nota oficial, o Presidente António José Seguro recordou o jornalista e escritor como uma “figura marcante”, capaz de imprimir uma marca muito própria tanto nas redações como nas livrarias.
Uma vida entre a notícia e o romance
A carreira de Mário Zambujal foi um testemunho de versatilidade. Como jornalista, foi uma referência incontornável no desporto nacional, profissão que exerceu com um sentido de humor inconfundível. Esta entrega às causas da classe foi também visível no seu papel institucional, tendo presidido o Clube de Jornalistas durante 14 anos — um compromisso reconhecido recentemente com o Prémio Gazeta de Mérito, atribuído em 2025.
No campo da literatura, o seu nome tornou-se um ícone nos anos 80 com a obra Crónica dos Bons Malandros. O livro, que capturou o imaginário de uma geração e foi adaptado com sucesso ao cinema, consolidou o autor como um mestre na arte de contar histórias. Mesmo perto do fim, Zambujal manteve a sua vitalidade criativa: em dezembro, publicou o seu mais recente romance policial, O Último a Sair, onde continuou a explorar as complexidades, afetos e contradições das personagens que sempre o fascinaram.
Identidade e Memória
O Presidente da República destacou a personalidade única de Zambujal, um homem que não escondia o orgulho nas suas raízes alentejanas. A alcunha de “desalinhado”, que o próprio utilizava para se descrever, refletia a sua postura irreverente perante a vida, sempre acompanhada por uma inteligência perspicaz.
Pelo conjunto da sua obra e percurso, Mário Zambujal foi alvo de diversas distinções, das quais se destaca a Ordem do Infante D. Henrique, recebida em 1984. O Chefe de Estado encerrou a sua mensagem de pesar estendendo as condolências à família, amigos e aos muitos colegas de profissão que, ao longo de décadas, privaram com uma das figuras mais humanas e criativas da comunicação social em Portugal.