Após semanas de monitorização e alertas sobre a instabilidade da encosta, a fachada da histórica Capela da Fajã do Mar, no Arco da Calheta, acabou por ruir durante a madrugada desta quinta-feira, vítima do impacto severo das intempéries.
A queda da estrutura, embora antecipada pelas autoridades municipais, marca um ponto crítico na conservação do património religioso da região. Segundo a autarquia da Calheta, o incidente insere-se num padrão de desmoronamentos recorrentes na zona ao longo dos últimos dias, agravados pela instabilidade dos solos e pela ação erosiva prolongada.
O impasse entre preservação e realidade imobiliária
Em declarações à RJM 88.8, a presidente da Câmara Municipal, Doroteia Leça, confirmou que o imóvel é propriedade da Região, tendo a autarquia alertado atempadamente as secretarias regionais com competências nas áreas de Equipamentos, Infraestruturas e Cultura.
O futuro do templo encontra-se agora num impasse complexo:
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Dificuldade de Realojamento: A elevada pressão e o custo imobiliário da zona da Fajã do Mar tornam difícil a procura de um novo terreno para a reconstrução.
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Segurança Imediata: A prioridade imediata recai sobre a remoção cuidadosa das cantarias e a estabilização dos vestígios remanescentes, de forma a prevenir novos riscos de derrocada.
Um alerta para o património local
A Capela da Fajã do Mar, peça emblemática da identidade local do Arco da Calheta, torna-se agora o exemplo mais recente da fragilidade das infraestruturas históricas perante os fenómenos meteorológicos extremos.
Enquanto a comunidade lamenta a perda parcial do edifício, a Câmara Municipal da Calheta assegurou que manterá um acompanhamento rigoroso junto do Governo Regional, na tentativa de encontrar uma solução que permita preservar o legado histórico do templo, seja através de um restauro técnico ou de uma possível reinstalação do espólio.